Coffee & TV – Alguns dos melhores momentos musicais do cinema em 2012

Ah, dezembro, a sexta-feira dos meses do ano! Época de especiais melodramáticos na TV, festas da firma, amigo secreto na família, chegada do Papai Noel nos shoppings, sol, piscina e uvas-passa invadindo nossas refeições. Como não amar? Pois é, eu odeio final de ano. Especialmente agora que sou aluna de uma universidade federal e praticamente comerei minha ceia no centro de convivência do campus, e as pernas pro ar durante os filmes temáticos na Sessão da Tarde são um sonho distante.

Mas se acalme, querido leitor, que o último mês do ano – e quem sabe da história da humanidade – reserva coisas boas até para almas grintchinianas como a minha e talvez a sua. Dezembro é época das listas de melhores (e piores) do ano, e é com alegria que te convido a relembrar ALGUNS dos grandes momentos musicais dos filmes de 2012. Como selecionei apenas quatro deles, o espaço para comentários está aberto pra vocês deixarem suas listinhas também, ok?

A abertura de 007 – Operação Skyfall Graças às novelas de Globo, Adele foi banalizada. Com várias de suas músicas presentes nas trilhas dos folhetins do horário nobre, passar 2012 livre de ter ouvido “Rolling In The Deep”, “Someone Like You” e “Set Fire To The Rain” nas rádios, festas – com remixes de qualidade altamente questionável – e covers de praças de alimentação foi uma tarefa inglória. Eu já estava de saco cheio da moça quando fui surpreendida por “Skyfall”, gravada especialmente para a trilha do mais recente filme de James Bond.

A música de Adele complementa com perfeição o clima noir da sequência, sendo, ao mesmo tempo, misteriosa e sedutora, como o agente secreto mais famoso do cinema. O filme é fantástico e a abertura completamente hipnotizante, tanto para virgens de 007, como eu era até poucas semanas, quanto para os fãs da franquia – que arriscaram dizer que era a melhor abertura de todas. E quando se tem “Live And Let Die” como concorrente, o peso dessa afirmação se faz sentir.

O vídeo com imagens do filme em questão não pode ser incorporado. Tá aqui o link pra quem quiser vê-lo.

Uma música para o fim do mundo – Quando o fim do mundo é um fato científico e as televisões passam a fazer uma contagem regressiva até o momento em que um asteróide se chocará com a Terra, destruindo tudo o que há nela, você pode se deprimir, sentar e esperar, ousar como se não houvesse amanhã – que logo, logo não haverá mesmo – ou então correr atrás do tempo perdido. É isso que o personagem de Steve Carrell em “Procura-se Um Amigo Para o Fim do Mundo” resolve fazer, auxiliado por sua vizinha meio esquisita, interpretada por Keira Knightley.

Sem entrar no mérito da questão de julgar se a proposta é agradável, ou se só mesmo a concretização do clichê que Morrissey nos apresentou no refrão de “There Is a Light That Never Goes Out”, a verdade é que, ao fim do filme, só dá mesmo para pensar em “The Air That I Breath”. O clássico dos Hollies é usado na trilha nos momentos mais corretos, sustentando a teoria que se o mundo for mesmo acabar, o amor é a única coisa de que precisamos – e um pouquinho de ar, para suspiros oportunos.

Canção para o infinito – Nada como ser jovem, estar apaixonado e ter os melhores amigos do mundo do seu lado. Essa é a uma das muitas impressões produzidas por “As Vantagens De Ser Invisível”, adaptação para o cinema do livro homônimo de Stephen Chbosky, que já colocou muita gente para chorar e ainda assim não foi suficiente, já que a distribuição das cópias em nosso país tropical foi bem aquém do que um filme tão bacana merecia.

Aqueles sortudos que conseguiram assistir puderam usufruir da trilha sonora gostosa com cara de hits do rádio de uma época boa, em que era comum ouvir Sonic Youth e The Cure por ali sem ter que se procurar muito, já que a história é ambientada nos anos 90. O grande momento musical fica por conta dos Smiths, uma vez que “Asleep” é a música favorita do menino Charlie, conseguindo ser melancólica, doce e profundamente triste, captando completamente o espírito do filme e também do livro.

Drive e Kavinsky – Perseguições, cabeças explodindo e sintetizadores. Três expressões que resumem bem o conceito de Drive, filme de Nicolas Widing Refn (lançado nos EUA em 2011, mas que chegou por aqui só neste ano) sobre um dublê de corridas interpretado por Ryan Gosling que, nas horas vagas, usa de suas habilidades no volante para serviços escusos e que se enrola todo com bandidos de alto calibre por conta do quase romance vivido com sua vizinha, Carey Mulligan.

A trilha original foi composta por Cliff Martinez, e é toda feita de batidas eletrônicas com uma pegada retrô, que se casa perfeitamente com o clima do filme e sua estética meio kitsch, como a jaqueta de gosto duvidosíssimo usada pelo personagem de Gosling durante quase todo o filme. Como destaque, temos a sequência de abertura, que conta com ele dirigindo por uma Los Angeles quase vazia ao som de “Nightcall”, de Kavinsky, cuja sonoridade remete automaticamente aos anos 80 e que conta com a participação da brasileira Lovefoxxx, do Cansei de Ser Sexy. Filmaço totalmente necessário.

Coffee & TV é uma coluna quinzenal do Move That Jukebox. Nela, falo sobre trilhas sonoras bacanas, reais ou imaginárias, de filmes, séries e até livros. Eu sou a Anna e não consigo ouvir música sem imaginar um filme como plano de fundo, e também gosto de imaginar o que os personagens dos meus livros favoritos gostariam de ouvir. So Contagious é o meu blog pessoal. E você também me encontra no Twitter.

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Tédio, histeria e suicídio | Id #3

Ter motivo para viver. Algo que para algumas pessoas é automático e não exige esforço algum, para outras pode ser literalmente a busca de uma vida.

Sobre isso, recebi o tocante relato abaixo.

Sr Fred Mattos,

Não sei ao certo por onde começar, muito menos se deveria começar, e meu intuito aqui não é pedir nenhum tipo de apoio profissional – já tenho uma excelente psicóloga e um excelente psiquiatra me acompanhando – mas gostaria de entender um pouco mais no aspecto clinico e mental questões que levam as pessoas a simplesmente perderem o prazer da vida.

Eu não tenho o que reclamar da vida. Tenho um excelente emprego, cobiçado por muitos, e um salário interessante para meus poucos 20 anos. Da mesma forma que não posso me queixar de minha profissão, não posso me queixar do meu ciclo de amizades; me dou muito bem com todas as pessoas que convivo e que venho a conviver, meu ciclo de relacionamentos é bem amplo, tanto com homens quanto mulheres, repleto de grandes amigos e conhecidos que servem para sair final de semana e pegar uma balada. Sem deixar de lado é claro a família, onde meu relacionamento nunca esteve tão bom quanto hoje. Apesar de não ser um “don juan” não tenho problemas em conseguir um encontro ou algo um pouco mais sério, é mais questão de vontade.

Deixando os rodeios de lado, a questão é: mesmo tendo tudo, nada me satisfaz. Nem as mulheres, nem os amigos, muitos menos trabalho e família, sempre falta algo a mais, nunca é suficiente.

Seria pela facilidade como obtenho as coisas? Bom, não sei, o que sei é que sempre consigo as coisas com muita facilidade, com o mínimo ou nenhum tipo de esforço. Teria eu a bunda virada para a lua?

Partindo da questão de não se saciar com absolutamente nada, surge o pior dos pensamentos. Se não estou satisfeito com nada e não pretendo mudar – não tenho a minima vontade, afinal, mesmo estagnado tudo conspira ao meu favor –, então para que continuar? Sim, eu falo da vida, da morte.

Por que não escolher você mesmo seu horário e local de morte? Porque este é um tabu tão grande para a sociedade? Por que devemos viver até ficarmos velhos e gagás? A morte vem para todos, mas mesmo assim ela ainda choca, destrói, causa medo e pavor, principalmente quando se é alguém novo. Não posso deixar de concordar que com apenas 20 anos não vi absolutamente nada da vida, e mesmo que viva por mais 20, 40, 60, 80 anos, pouco verei.

Resumidamente, a curiosidade é entender como muitos imploram pela vida e para outros – conscientemente, ou estes tipos de pensamentos não são conscientes? – ela simplesmente não tem mais motivo algum para ser vivida.

Tenho 20 anos, solteiro, estou em terapia com psicóloga por mais ou menos três anos, com acompanhamento por psiquiatra a mais de um ano – este há seis meses e os outros três por curtos períodos – tomo remédios controlados e já me acostumei com esses pensamentos de morte e suicídio. Para dizer a verdade, fazem parte de meu cotidiano e hoje não cometeria um burrada dessa. Os assuntos aqui colocados já foram altamente debatidos com psicóloga, psiquiatra e família, e já tive duas tentavas de suicídio, que, penso eu, foram apenas meios de chamar a atenção.

De qualquer forma, se o assunto lhe interessa, gostaria de um texto para abrir uma discussão sobre essas diferenças de pensamento e o que leva uma pessoa a cometer atitudes como suicídio e não um resposta em particular para mim. Se não for pedir de mais, gosto muito de ler sobre psicologia e sobre a mente humana, se recomendar alguma leitura ficarei muito agradecido.

Atenciosamente, T.

Sabe, meu caro T, mesmo que nos mostremos distraídos, buscamos algo mais que mulheres, amigos, trabalho e família. Os que alcançaram essas condições básicas anseiam por mais.

Existe um estudioso da psicologia chamado Abraham Maslow que fala sobre uma escala de necessidades humanas. Esta que eu incluí acima. Ela indica que depois de superadas as fases de sobrevivência e pertencimento o ser humano anseia um significado mais profundo na vida, um sentido que dê um norte significativo, que o distingua dos demais, daqueles simplesmente querem o pão de cada dia.

Se você já tem as condições básicas atendidas deve querer mais do que isso. Mas em alguma medida todos têm esse mesmo anseio, ainda que não o saibam.

Por que viver?

“Por que não escolher você mesmo seu horário e local de morte? Por que este é um tabu tão grande para a sociedade?”

Podemos escolher o local e o horário sim, mas por quais motivações? Queremos estar vivos, mas não a qualquer custo e sim com brilho nos olhos, energia e possibilidade de não passar em vão.

Certa vez recebi um pedido de um jovem prestes a morrer. Ele pediu que eu falasse sobre a vida, e em essência o que eu disse a ele foi: morra o mais vivo que puder.

Quando me falam de suicídio eu gosto de contar a história de uma lagarta que chamava Meg e estava muito infeliz no galho em que vivia. Dizia ver tudo seco, sem vida, tedioso e previsível. No entanto, percebeu que se jogar daquele galho seria inútil, afinal a altura não era suficiente. Subiu no galho de cima e chegou na mesma conclusão até atingir um galho que parecia razoável, mas notou que as folhas dali eram mais verdes e resolveu saborear. Para sua surpresa o gosto era diferente lá de baixo e suspeitou que nos galhos de cima talvez o gosto fosse ainda melhor.

Atingindo quase o topo da árvore percebeu que estava pronta para o salto mortal.

Mas uma inquietação enorme já tomava conta do seu corpo e a única coisa que foi possível foi aguardar paradinha até que a agitação parasse. Nessa hora se deu conta que seu corpo estava diferente e duas asas surgiram em suas costas a tal ponto que viu outras tantas árvores que poderia conhecer. Tirar a própria vida já não fazia sentido para ela naquele momento.

Então suba.

Perspectiva limitadora do ganha ou perde

O ponto dessa história é que todos nós, assim como a lagarta Meg, enxergamos o mundo que construímos. Quando afirmamos que já tentamos tudo para mudar, provavelmente tentamos “apenas” tudo o que poderia ser tentado no nosso mundo restrito. A ideia de suicídio é uma dessas tentativas, e ela nasce de uma visão bem típica atualmente. A do tudo ou nada.

Nessa visão binária, um homem que perde seus bens não tem valor. Alguém que não tem sucesso, não recebe atenção ou se perdeu sua mulher para o Ricardão cai em descrédito. Não criamos um mundo para os desafortunados. E esses, quando se veem nessa situação por mais tempo do que gostariam, acreditam que nada mais resta a eles. Nada.

Em alguns casos a ideia de suicídio é um mimo, como aquele menino desacostumado a perder e que leva a bola embora só porque não foi escalado para atacante. Se não é para vencer, o jogo acaba. Ele é incapaz de seguir em frente quando vê sua honra manchada.

É só notar os motivos de suicídio mais comuns: dívidas, perda de status e mulher. O suicídio parte de um tipo de identificação doentia em que a máscara social estava grudada à face. Quando a pompa do milionário caiu, a pessoa como um todo foi junto.

O consolo para o suicida

É de visão ampla que o pré-suicida carece, e não um de consolo barato que só alimente seu narcisismo.

Vejo pessoas tentando consolar depressivos afirmando que eles são legais, lindos e interessantes, e normalmente acabam recebendo de volta um monte réplicas autoacusatórias. Essas respostas desconsoladas sobre si mesmas costumam estar próximas da realidade, pois quando se acusa de egoísta, chata e resmungona, de fato é. Oferecer contrapontos que levantem o ego não funciona, apenas atola ainda mais o sujeito na areia movediça em que está afundando.

É na saída do autocentramento que mora a esperança, pois a falta de ânimo que faz perceber o mundo sem cor revela um olhar desinteressado.

Bastaria que uma nova paixão acontecesse para desmentir essa realidade acinzentada que o desiludido percebia. O suicida potencial precisa perceber que o mundo para o qual quer morrer pertence só àquela identidade na qual se fixou. Quando estoura a bolha que vivia, a maldição na qual estava possuído desaparece.

O que o suicida quer realmente matar?

A morte que o suicida anseia é a de uma realidade específica, e não de si mesmo. Mesmo aqueles que se sentem cansados das próprias ações estão cansados… do seu cansaço. Se pudessem, desapareceriam para si mesmos por um tempo e depois retornariam para ver se o cansaço passou.

É a dor de viver que querem aniquilar, mas eles não entendem que a dor não é um estado físico (apesar de ser sentida por muitos assim), mas uma concepção equivocada do mundo. O problema do suicida é que ele vê a realidade como algo concreto e não como algo que ele constrói.

Esse conceito é o de co-emergência, ou seja, nós co-criamos a realidade que habitamos; ela não existe em si. A mesma festa pode ser uma celebração para um e uma catástrofe psicodélica para outro, a paisagem mental de cada um se sobrepõe e cria o clima da festa. O óculos que você utiliza é que define a experiência que vai absorver.

As visões de mundo das pessoas se distinguem radicalmente. Para a pessoa bélica tudo é uma guerra, para a carola é tudo preto-no-branco/certo-errado, para o visionário as oportunidades estão sempre no meio do caminho e para o iluminado todos cohabitamos uma teia viva de compaixão obscurecida por enganos mentais.

A noção de felicidade que alimentamos é muito pobre e no mais das vezes é a própria causa da ideia suicida. Se ela está trancafiada numa certa posição específica, como beleza, juventude, vigor físico, poder ou dinheiro, existe um alto potencial de que o envelhecimento, a doença e os altos e baixos do mercado de ações afetem sua sensação de pertencimento a esse mundo.

Histeria

“Mesmo tendo tudo, nada me satisfaz. Nem as mulheres, nem os amigos, muitos menos trabalho e família, sempre falta algo a mais, nunca é suficiente.

Seria pela facilidade como obtenho as coisas? Bom, não sei, o que sei é que sempre consigo as coisas com muita facilidade, com o mínimo ou nenhum tipo de esforço.”

O problema não é conseguir as coisas com facilidade, mas não estar engajado com essas conquistas e como isso tem um impacto na sua vida e na dos demais.

A sensação de que nada é suficiente pode ser resultado de um tipo silencioso de tédio arrogante onde o insatisfeito crônico se vê acima do bem e do mal (mesmo que não esteja). Como se guardasse uma sensação de “eu já sabia” que cria a sensação de uma realidade insossa, visível no seu comentário: “e mesmo que viva por mais 20, 40, 60, 80 anos, pouco verei”.

Parece uma apatia desconectada de tudo, uma frieza narcísica que não se permite impressionar efetivamente por nada. Ela é insatisfeita porque está sempre esperando uma satisfação externa para agradar o rei meio bêbado e entediado que grita no inconsciente: “ei, alguém aí fora não vai me alegrar? Ninguém quer dançar para mim?”

É uma forma de histeria, ou seja, a incapacidade de sentir o que está sentindo porque está idealizando a realidade.

Chamar a atenção

“Já tive duas tentavas de suicídio que, penso eu, foram apenas meio de chamar a atenção.”

Percebe o rei gritando? “Sou importante, quem vai sentir minha falta?”

Acho curioso analisar as cartas deixadas por suicidas, pois em grande parte eles acusam a si mesmos ou aos outros como justificativa para a despedida fatal. Tanto num caso como o outro o ponto em comum é um EU que se sente ofendido, humilhado, rebaixado e preso em medo, raiva, tristeza e vítima de um mundo cruel.

Se é nossa lente que enxerga o mundo tal como ele é, talvez a radicalidade esteja impregnada no olhar restrito de quem se despede. A pessoa quer chamar atenção para o fato de que ninguém valoriza e reafirma sua presença no mundo com compaixão, no entanto, ela própria desestimula com sua autopiedade um espaço no mundo onde a compaixão exista.

Deixo claro que entendo as motivações que quem se suicida para se livrar da dor e da angústia, mas o que posso perceber com alguma clareza é que definitivamente a pessoa ainda não explorou todas as possibilidades. Eu próprio quando me vi com ideias em torno do suicídio deixei minha curiosidade falar mais alto e pensei: “só por teimosia ficarei por aqui só para ver como eu filhadaputamente vou sair dessa”.

Foram a curiosidade e a generosidade que diluíram a ideia de me matar. A realidade é muitas vezes trabalhosa, mas se levarmos nosso amargor frente a uma realidade dura até às alturas teremos motivo para muita confusão.

Num momento de dúvida prefiro me dispor a estender a mão ao invés de exigir que os outros façam isso por mim e recorrer a uma mente coletiva que está além de minhas próprias possibilidades…

* * *

“Id” é a nova coluna do PdH, na qual o psicólogo Fred Mattos responde às dúvidas dos leitores.

A ideia é que possamos nos comunicar a partir de uma dimensão livre, de ferocidade saudável. Não enrole ou justifique desnecessariamente, apenas relate sua questão da forma mais honesta possível.

Isso não é terapia (que deve ser buscada em situações mais delicadas), mas um apoio, um incentivo, um caminho, uma provocação, um aconselhamento, uma proposta. Não espere precisão cirúrgica e não me condene por generalizações, pois sua vida não pode ser resumida em algumas linhas, e minha resposta não abrangerá tudo.

Envie suas perguntas para id@papodehomem.com.br

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Quatro excelentes jogos de tabuleiro para jogar no feriado

Ludo, Damas, Banco Imobiliário, WAR… Quem nunca jogou, ou ao menos conhece?

Jogos de tabuleiro são uma das melhores formas de juntar alguns amigos ou a família para “perder tempo” de uma forma divertida e social, em vez de ficar assistindo TV. Mas, infelizmente, fora esses e alguns outros clássicos, o Brasil nunca teve uma grande variedade de jogos de tabuleiro realmente bons.

Isso tem começado a mudar. Jogos consagrados no exterior estão começando aparecer nas lojas do país, com regras na nossa língua e preços na nossa moeda.

Nenhum dos jogos dessa lista custa mais do que R$100. Se dividir o preço entre uma família, custa o mesmo que assistir a um filme no cinema – e rende mais horas de diversão.

Que tal conhecer alguns jogos novos?

Colonizadores de Catan

GROW | 3 a 4 jogadores | A partir de 10 anos | Cerca de R$ 100

Simplesmente um dos jogos mais jogados e celebrados da nova geração de jogos de tabuleiro no mundo inteiro (há até mesmo campeonatos mundiais oficiais), Catan chegou recentemente ao Brasil pela GROW.

Nele, os jogadores competem em recursos para colonizarem uma ilha. A todo o momento surgem novas rotas, matérias-primas são negociadas e pequenas aldeias tornam-se cidades. Em alguns momentos há madeira em abundância; em outros, minério. A constante troca de mercadorias cria oportunidades para todos.

Mas não demora muito e os espaços diminuem – e tem início a disputa por terras, matérias-primas e poder. Ganha quem se tornar o soberano da ilha.

Risk

Hasbro | 2 a 5 jogadores | A partir de 12 anos | Cerca de R$ 90

Nem todos sabem, mas o famoso WAR é uma cópia piorada de outro jogo.

Era difícil lançar os jogos no Brasil até alguns anos atrás, por questões de direitos autorais, por isso as marcas pegavam ideias de jogos importados, alteravam as regras o suficiente para que fosse outro jogo, e lançavam aqui.

Risk é a versão original do WAR, e hoje já temos ele nas lojas brasileiras. Os objetivos e o funcionamento dos jogos são quase os mesmos, mas Risk é bem mais ágil, com partidas mais rápidas e possibilidades de ataques mais fulminantes nos exércitos adversários.

Domínio de Carcassonne

GROW | 2 a 5 jogadores | A partir de 10 anos | Cerca de R$ 75

Um dos mais diferentes dessa lista, já que não tem exatamente um tabuleiro. Em vez disso há peças quadradas que os jogadores vão colocando na mesa, umas encaixadas nas outras, num esquema parecido com dominó.

A diferença é que, em vez de bolinhas pretas, essas peças contém partes de cidades, estradas, igrejas e campos verdejantes que vão formando uma cidade. Ao colocar estrategicamente os seus bonequinhos nesses espaços à medida que eles vão se montando na mesa, os jogadores dominam maiores partes do reino e somam mais pontos.

Stratego

Hasbro | 2 jogadores | A partir de 8 anos | Cerca de R$ 50

Outro jogo relativamente famoso no Brasil é o Combate, no qual dois exércitos se enfrentam às cegas. As peças entram em combate sem conhecer o adversário, e as patentes altas derrotam as mais baixas (por exemplo: se um mero Cabo Armeiro se encontrar lutando com um General, “morre”).

Stratego é, de novo, a versão original e melhor desse jogo, com regras mais legais e peças mais bonitas e com poderes especiais. Outra diferença: em vez de dois exércitos militares comuns e sem graça, em Stratego são duas legiões de criaturas fantásticas, uma da região do gelo e outra da região do fogo.

* * *

E aí, qual desses você curtiu mais? Tem alguma outra dica de jogo de tabuleiro que não seja manjado, nem caro, nem difícil de achar nas lojas do Brasil?

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Coffee & TV – Alta Fidelidade, amores, desilusões e as noias musicais de Rob Fleming

“O que veio primeiro, a música ou a tristeza? Sou infeliz porque escuto música ou escuto música porque sou infeliz?”

Quem faz essa reflexão é Rob Fleming, protagonista de Alta Fidelidade, primeiro livro do inglês Nick Hornby. E não é à toa que a adaptação para o cinema, dirigida por Stephen Frears, comece com John Cusack se perguntando exatamente a mesma coisa. E vai além: se as pessoas se preocupam com crianças e jovens expostos à violência por meio da mídia, deveriam também perder seu tempo consternados com o fato delas ouvirem milhares de canções sobre dor, perdas e corações partidos. Segundo ele, isso causa um efeito no indivíduo. Rob Fleming não poderia ser descrito como um sujeito alto astral e de bem com a vida, e talvez “Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me”, do The Smiths, ser uma de suas músicas favoritas tenha algo a ver com isso. Mesmo que você nunca tenha escutado a referida, o título diz muito por si só.

Tenho um carinho especial pelo livro e pelo filme, tanto pela trilha sonora, que é fantástica, quanto pela forma perfeita com a qual Nick Hornby descreve a relação que temos com as músicas das nossas vidas. Rob sempre foi um aficionado por música e, por menor que seja o lucro que sua loja de discos lhe dê, ele se orgulha dela. Alguns têm uma carreira brilhante. Outros, o carro do ano. Ele tem discos e acha dificílimo respeitar qualquer coleção com menos de 5000 deles. Contudo, lá no fundo, ele se pergunta se essa paixão por música lhe fez bem ou mal, de forma mais ampla.

Explico: a arte possui uma carga emocional muito forte e quando você escolhe alguma manifestação dela para ser o centro da sua vida – como a música é o norte da vida de Rob –, simplesmente tem que aceitar que o sentimento de satisfação plena não faz mais parte da sua existência. Fleming queria que sua vida fosse uma canção do Bruce Springsteen, mas a gente sabe (e ele também, por mais que teime em fingir que não vê) que músicas são músicas, e quando aquele CD acaba, o que temos diante de nós é a vida, que é mais banal do que a gente gosta de admitir, com dores que pareciam mais fáceis de suportar através da voz do Morrissey, e é tão mais fácil se apaixonar se a trilha sonora ao fundo sugere um romance que te faz perder o rumo de casa!

Deixando de lado esse papo existencial meio deprimente, Alta Fidelidade é um livro que vai fazer com que uma enciclopédia musical se descortine diante dos seus olhos. Rob pode ter vivido toda sua vida agindo com seus instintos e se ferrando por conta deles, mas ele sabe escolher o que ouvir e talvez sua maior capacidade seja encaixar tudo que gosta em sistemáticos “Top 5″ e mixtapes para pessoas especiais. Ele e os funcionários da Championship Vinyl, Barry e Dick, elencam desde as cinco melhores primeiras músicas de lado A dos discos até as melhores músicas sobre morte e para tocar em funerais.

O Rob Fleming do livro é um grande amante de soul, e foi por meio dele que fui apresentada a Solomon Burke, Otis Redding e Al Green. Essa base foi completamente desprezada na adaptação pro cinema, embora isso não signifique que a trilha oficial seja desprezível, passando por Velvet Underground, Bob Dylan e até mesmo Belle & Sebastian e Green Day; Pavement e Of Montreal se você prestar atenção nos pôsteres na parede. Mesmo tomando liberdade criativa, a produção acertou na mão, e apesar da seleção caprichada, o que fica na cabeça mesmo é o Jack Black cantando “Let’s Get It On”, do Marvin Gaye, um momento que certamente encontra-se no meu Top 5 de cenas favoritas do filme.

E o de vocês, qual é?

Coffee & TV é a nova coluna quinzenal do Move That Jukebox, em que eu vou falar sobre trilhas sonoras bacanas, reais ou imaginárias, de filmes, séries e até livros. Eu sou a Anna e não consigo ouvir música sem imaginar um filme como plano de fundo, e também gosto de imaginar o que os personagens dos meus livros favoritos gostariam de ouvir. So Contagious é o meu blog pessoal. E você também me encontra no Twitter.

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A ciência da compaixão

Maria Popova, curadora do site Brain Pickings, esteve na conferência da PopTech deste ano e contou que uma das melhores palestras a que assistiu foi a do psicólogo David DeSteno, diretor do Northeastern University’s Social Emotions Lab.

DeSteno falou sobre compaixão e resiliência – temas que sempre me interessam muito.

A compaixão que sentimos não é determinada pelos fatos objetivos. É determinada por quem está olhando. Não é a gravidade dos fatos de um desastre que nos motiva a sentir compaixão e ajudar – é se nós nos vemos ou não entre as vítimas.

Vale clicar no play e perder 18 minutos do seu dia repensando sobre essas questões:

David DeSteno também é coautor do livro “Out of Character: The Psycolhology of Good and Evil”. Saiba mais aqui.

from Update or Die http://da.feedsportal.com/c/34504/f/629198/s/24f47cc7/l/0L0Supdateordie0N0C20A120C10A0C270Ca0Eciencia0Eda0Ecompaixao0C/ia1.htm

Pedagogia musical para homem frouxo

Relendo as cartas recebidas na última semana, nosso dever moral da segunda-feira, este cronista chinfrim e sua inseparável cigana Miss Corações Solitários aferimos o quanto voltou a ser predominante, em especial, um tema: o bípede masculino que evapora.

Não estamos falando do homem-de-Ossanha, o cara vacilante, como o da música de Vinícius & Baden Powell, que diz “vou” e não vai. Nem tampouco tratamos de outro grande personagem da música brasileira, o homem acomodado da canção do Dorival Caymmi.

Basta uma chuvinha de nada que o sujeito manda o recado para a moça:
“Diga a Maricotinha
Que eu mandei dizer
Que eu não tô
Não tô!
Não vou!
Não tô!
Não vou!”

Pense num bicho sem vontade de ir! Um homem com medo de derreter em qualquer garoa, praticamente um macho-sonrisal. Está cheio deles por ai, como atestam as cartas recebidas por este blog.

Mas esse tipo de homem, pela situação descrita por nossas fiéis leitoras, ainda é uma dádiva. Pelo menos manda dizer que não vai.

O mais grave e motivo da maioria das queixas é o que simplesmente evapora, se desmancha no ar ou escorre pelo ralo dos amores líquidos. Não é que desapareça depois de uma transa ou de uma noite ficante. Estamos falando do chá-de-sumiço depois de vários encontros.

O medo do macho diante do pênalti afetivo, como se a moça já pensasse em casamento. Não é o caso.

O cara simplesmente some. Um desertor até mesmo das redes sociais.
“Tempos de homens frouxos”, repete aqui minha cigana. “Hoje nada fica, nem o amor daquela rima antiga”.

Não custa nada, porém, um naco sensatez. Que tal dizer que não quer mais encontrar, transar, passear etc?

E para ficar na pedagogia das boas canções, Miss Corações canta a saideira para tentar reduzir a covardia masculina:

“Vai meu coração ouve a razão/ Usa só sinceridade”.

from Xico Sá http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/2012/10/22/licao-de-mpb-para-homem-frouxo/

Série “pessoas”

Aqui segue o link dos textos que falam sobre diversos tipos de pessoas

Pessoas chatas

Pessoas que guardam tudo (acumuladores)

Pessoas e suas roupas

Pessoas “do contra”

Pessoas que se boicotam

Pessoas sugestionáveis

Pessoas largadas

Pessoas culpadas

Pessoas preconceituosas

Pessoas curiosas

Pessoas compradoras compulsivas

Pessoas “tanto faz”

Pessoas “cegas”

Pessoas 80 ou 80

Pessoas e suas casas

Pessoas mentirosas

Pessoas coitadinhas

from Sobre a Vida http://www.sobreavida.com.br/2012/10/18/pessoas/